Quando a Política Ignora a Técnica: As Contradições da Entrevista de Damião

Entrevista de Damião é criticada por contradições e falta de base técnica

Quando a Política Ignora a Técnica: As Contradições da Entrevista de Damião

 

A entrevista do vereador Damião trouxe uma série de falas contraditórias, afirmações sem base técnica e críticas que ignoram completamente a realidade operacional da administração pública.

Em diversos momentos, o discurso deixou de lado o debate sério e responsável para entrar em narrativas políticas sem profundidade técnica.

Primeiro, afirma que falta diálogo por parte da Prefeitura. Porém, na própria entrevista, reconhece que todas as vezes em que liga para o prefeito ou para os secretários é atendido.
Além disso, no caso do Projeto de Lei sobre prazo de consultas nas UBSs, não houve procura prévia por parte dele para construção conjunta da proposta. Pelo contrário: foi a própria Secretaria de Saúde que o procurou e pediu tempo para debater tecnicamente o assunto.

Inclusive, ao comentar o pedido para retirada temporária do projeto, afirmou: “eu não sou bobo, eu posso retirar por 6 meses, aí eles vão lá, ajeitam as coisas e depois falam que fizeram”.
A fala demonstra que a preocupação deixou de ser a construção coletiva de soluções e passou a girar em torno da disputa pelo mérito político.

Em outro momento, afirmou que “se o prefeito vetar esse projeto, enterra a próxima eleição”.
Ou seja, enquanto a administração discute viabilidade econômica, impacto financeiro, capacidade operacional e sustentabilidade da rede pública, o debate é reduzido à lógica eleitoral.

Sobre os prazos das consultas nas UBSs, afirmou com absoluta certeza que “dá para fazer”, atribuindo tudo à “falta de logística” e “falta de gestão”.
Mas fica a pergunta: baseado em qual estudo técnico?
Não apresentou levantamento operacional, análise financeira, estudo de capacidade da rede ou qualquer parecer técnico. Quem executa diariamente a saúde pública pediu tempo para análise. Quem está de fora quis decidir sem apresentar dados concretos.

Ao falar sobre demora nas consultas, especialmente especialidades, também ignora um ponto básico: a oferta de consultas especializadas depende da regulação do SUS em sistema de gestão compartilhada.
O município organiza, encaminha e busca ampliar o atendimento, mas a ampliação da oferta também depende do sistema estadual/federal conveniado ao SUS. Simplificar isso como se fosse apenas “vontade política” desinforma a população.

Outro ponto grave foi descredibilizar profissionais e estruturas públicas sem provas.

Ao dizer que a pesquisa realizada pela Mobilidade com usuários do transporte coletivo é “mentirosa”, coloca em dúvida o trabalho dos próprios servidores da pasta que executaram a ação.
Depois questiona: “vocês ouviram a população?”.
Ora, quando mecanismos de escuta são realizados, eles próprios são desacreditados politicamente.

O mesmo ocorre quando afirma que é mentira que usuários faltam às consultas agendadas nas UBSs, desqualificando relatos e registros dos profissionais da saúde.

Também afirmou que “os médicos da Zatti são todos formados pelo Unisalesiano”, levantando suspeitas sobre critérios de contratação sem apresentar qualquer prova, documento ou dado oficial.
Questionamentos sobre contratação pública precisam ser feitos com responsabilidade e compromisso com a verdade.

Na questão da infraestrutura urbana, critica a quantidade de buracos nas ruas, mas ignora que muitos desses problemas são consequência direta de asfaltos mal executados em gestões anteriores.
Os buracos não surgem do nada. Em muitos casos refletem obras de baixa qualidade, falta de drenagem adequada e ausência de manutenção estrutural.

O mesmo vale para a SOSP.
Em determinado momento admite que a secretaria está sucateada, mas não reconhece que esse sucateamento é resultado de anos de abandono herdados de administrações anteriores.

Mesmo assim, a atual gestão já iniciou melhorias concretas:

• Entrega de novas viaturas operacionais;
• Adaptação de veículos para segurança dos servidores;
• Locação de caminhões e maquinário pesado;
• Previsão de aquisição de retroescavadeira;
• Reformas estruturais no prédio da secretaria;
• Treinamentos de NRs;
• Adequações de máquinas e equipamentos das oficinas para segurança do trabalho.

Resolver décadas de deterioração não acontece de forma instantânea.

Sobre o Lago Azul, afirma que luta pela melhoria asfáltica há muito tempo, inclusive antes de ser vereador.
O próprio discurso demonstra que o problema atravessou outras gestões sem solução efetiva. Ainda assim, não reconhece que é a atual gestão quem está executando a obra.

Na questão da entrega de medicamentos em domicílio, também simplifica um debate complexo.
O atendimento domiciliar existe para casos específicos, como acamados e pessoas com severa dificuldade de locomoção. Transformar isso em obrigação universal exigiria estrutura logística gigantesca, alto impacto financeiro e retirada de equipes de outras áreas essenciais.

Por fim, ao reclamar de um terreno atrás de sua residência sem roçada, também é importante lembrar que, sendo área particular, a responsabilidade primária pela manutenção é do proprietário do imóvel, cabendo ao Município a fiscalização e eventual notificação.

Crítica política é legítima. Faz parte da democracia.
Mas críticas responsáveis exigem coerência, base técnica, compromisso com a verdade e respeito à realidade operacional da administração pública.